20 de fev. de 2011

O Encosto

Tomei um daqueles relaxantes banhos de meia hora e me preparei para o ritual de secar meus capilares. Pensava em quando toda essa chuva de lágrimas com cobertura de insegurança iriam embora. Acho que ela comprou apenas a passagem de ida, ao invés de round-trip (que sempre acaba saindo mais barato). No entanto, minha rotina foi quebrada por algo completamente novo: atráves do barulho do aquecedor e do espelho, pude notar que uma aranha com aparência venenosa "pousara" sobre minha cabeça. Hesitei por um momento e, enquanto o pequeno ser mirava a minha costeleta esquerda, o esmaguei dentro de uma toalha suja. Então você era a culpada por todas as minhas enxaquecas? Ainda não tenho a resposta, mas acho que realmente preciso limpar o meu quarto.

Sem final

Decidi que esta postagem não terá ponto final: apenas vírgulas, reticências e parênteses porque não quero fechar meus olhos e esquecer de que as melhores coisas da vida geralmente não duram para sempre, mas são gravadas em nossos diários e memórias daquela festa em que todos são notados, exceto você e seus amigos invisíveis...

17 de fev. de 2011

As Quatro Estações

Mais uma patética manhã cercada por cobertores e um vento gelado. Por aqui, tudo sobre controle. Estou certo de que, em breve, vou comer todas aquelas tangerinas. O horário de repouso já não tem tanta importância pois "eles" sempre me acordam antes das oito anyway. Estou criando o hábito de atirar roupas e toalhas sobre o tapete do meu quarto. Meus olhos miram o teto com a esperança de que, um dia, o peso de uma casa de três andares caia sobre mim. Quando fechei meus olhos à noite passada, a secadora ainda gritava por socorro. Tenho vivenciado pesadelos aos quais me recordo pela manhã e esqueço antes mesmo do sol se pôr. Memória nunca foi o meu forte.

12 de fev. de 2011

Libélulas

Balões infláveis decoram o céu azul. As nuvens já perderam seu destaque e a lua se esconde por trás dos braços das árvores. O vento grita de forma triste porém, não chove. Estou me acostumando à fazer passeios à lugar nenhum e, o pior, sem uma pessoa que faça minha guitarra soar menos solitária.
Encontrei libélulas rastejando sem suas asas e moradores de rua tentando vender uma bicicleta. Por que sou o único que não tem uma grande idéia?

9 de fev. de 2011

Invisível

Rosas brotam, pessoas vem e vão,
As noites já não são mais as mesmas,
Lágrimas se derretem sobre ramos de violeta,
Sinto calafrios.

No topo de cada montanha, o vento bate em sentidos diferentes.
Altura não se iguala à grandeza,
os grandes também caem,
E são eles que, sentados na sarjeta,
acompanhados por um maço de cigarros e uma garrafa de vinho,
tentam apagar memórias de um dia ruim que sempre se repete.

Não vivemos mais em uma terra dominada por gigantes...nostalgia.

6 de fev. de 2011

Smile Like You Mean It...

Eu não sou louco, apenas acredito que vivo em um mundo imaginário onde o homem do saxofone ganha seus trocados mesmo após uma insistente tempestade. Não me lembro da última vez que observei a lua num sábado à noite, de quando segurei as mãos de alguém e, me senti completo. O Rock n' Roll chegou ao fim? Vou me viciar em Ópio, ou não. Acho que não sei mais a diferença entre crescente e descrescente. Só sei que meu mundo está de cabeça para baixo, onde sons são distorcidos e, no final, acabo não entendendo mais nada. Será que o sol perdeu o brilho ou sou eu mesmo que não tenho mais a menor graça? Hoje, percebi que me sinto irritado quando fecho os olhos e tento contar até dez.

1 de fev. de 2011

My wings are made of plastic and it is impressive how my heart still beats...

Sentado, mas não calado. O herói caído se levanta, a cidade gira como uma roda-gigante em sentido anti-horário. E eu que pensei que nunca iria me sentir bem novamente. A paranóia que me atormentava enfim, cessou. Meu corpo se encontra em seu devido lugar. Boi, Leão, Águia e Homem estão em perfeita sintonia, as coisas tem gosto e não sinto mais tanto calor. Sim, it was all in my head. Solidão é opção, quero passar essas férias de três dias em minha própria companhia. Armas de fogo, pessoas de mentira embora me recorde de rostos e vozes. Eu sou o que sou, tenho defeitos e virtudes, perco muito tempo mirando lugar nenhum, tentando ser notado. Quando, na realidade, o que restou a ser notado é nada mais do que meu próprio ego. Espiritualismo é mesmo um saco. A verdade é clássica, crua, fria e todos os adjetivos que você desejar. Sucesso não se divide em cinquenta por cento. Eu quero muito mais do que isso. Quero Natais e Páscoas rodeados de luzes e famílias felizes, acordar do meu sono mais profundo e agradecer por estar vivo, atirar moedas em uma fonte da juventude e, ao invés de mais jovem, quero parar no tempo e desfrutar incêndios sem me queimar. Como Bukowski diria, "São 4:30 da manhã. Sempre são 4:30 da manhã".